O projecto consiste em relacionar e reflectir sobre os dois conceitos de tempo: tempo cíclico e tempo linear. As formas e instrumentos para medir o tempo são de uso muito antigo, baseando-se todas na medição do movimento. A concepção do tempo nas primeiras culturas era essencialmente qualitativa, o tempo como medida não existia e todo se baseava a partir dos ritmos da Natureza como os movimentos do sol, para além de ciclos relacionados com a agricultura, solstícios,… No tempo cíclico a percepção do homem e os ritmos naturais são os que o determinam opondo-se a toda linearidade temporal, são consequência de uma sincronização dos ritmos psico-corporais com os ritmos da Natureza e o entorno. Com a cultura cristã incorporou-se o tempo material, o tempo linear, a vida divide-se em passado-presente-futuro. Com a Revolução Industrial, a aparição da máquina e o relógio mecânico, fortaleceu-se esta ideia, que chegou ao seu máximo esplendor na Modernidade e que se estendeu até à actualidade com o capitalismo, e a ideia de progresso e desenvolvimento.

A primeira experiência como colectivo começou no verão de 2003, Arturo vinha de uma formação autodidacta, com várias exposições colectivas e individuais. O seu interesse desde há vários anos centrava-se no trabalho em espaço público. Leila, depois de concluir os estudos de Conservação e Restauro, retoma a formação em Belas Artes sendo a sua inquietude a fotografia e a imagem. Foi como a união de duas disciplinas com um interesse comum pela arte. Estas inquietudes e a nossa cumplicidade levaram-nos a trabalhar juntos em diferentes projectos até à actualidade, sem abandonar o trabalho individual. Estes consistem principalmente em intervenções efémeras no espaço público que tratam desde a dialéctica interior-exterior até à poética do objecto encontrado e de imagens experimentais e documentais que recolhemos dos nossos olhares, das nossas viagens. Trabalhos cujo suporte definitivo é a fotografia e o vídeo. O primeiro projecto como colectivo foi “Temporalidade Mecânica” (intervenção na antiga fábrica Tafisa de Pontevedra), ao que lhe seguiram outros como “Lixo non” (projecto contra as lixeiras incontroladas), o realizado para Kaldarte’05, assim como diferentes projecções vídeo no espaço público, que complementamos participando em seminários, cursos e workshops. Actualmente trabalhamos em novos projectos que compatibilizamos com os estudos de Belas Artes na faculdade de Pontevedra.